Por que (não) começar pelo texto literário?

 


Fonte da imagem: Trecho do livro Dom Casmurro publicado na página http://machado.mec.gov.br/index.php?option=com_k2&view=itemlist&layout=category&task=category&id=20&order=year&searchword=DOM+CASMURRO&Itemid=668


Comentário sobre o texto As Ideias fora do lugar de Roberto Schwarz

 

Abordagem do momento histórico de escrita dos textos literários nas aulas de literatura do ensino básico e Médio, sempre se iniciou juntamente com a análise inicial do gênero textual, que precedem a leitura do texto. Essas diretrizes introduzem no leitor características do estudo para que este filtre e direcione a leitura, o que não está errado. No entanto, tal método privou a sensibilidade da trajetória literária dos leitores em identificarem outros detalhes no texto, em especial, de analisarem com sua própria perspectiva e no desenvolvimento de crítica ao que estava escrito.

 

 Outro ponto bastante desestimulante no estudo investigativo, é o fato de que a história que é apresentada nas aulas introdutórias partem do compartilhamento da análise de macro movimentos de transformação do período analisado, fazendo parecer que tudo girava em torno de tais acontecimentos, sem se importarem com a vida cotidiana das pessoas e aspectos extremamente relevantes individualizadas que compunham o cenário onde ocorriam estes movimentos.

 

São essas duas considerações críticas que observo na leitura do texto As ideias fora do lugar escrito por Roberto Schwarz, que aborda brilhantemente a questão histórica do escravismo no Brasil e suas raízes na Europa, além dos mecanismos opressores que sempre existiram em decorrência dos anseios das elites brasileiras em se espelharem nas tendências europeias e os devaneios dos latifundiários, escravos, do homem comum e até mesmo da burguesia em serem destinatários da liberdade tão popular desde a revolução francesa.

 

Ocorre que, o autor nos deixa um presente enorme quando nos convida a observar estes mesmos acontecimentos na perspectiva sensível dos autores literários que presenciaram o período e contribuíram com os mais diversos textos, que remontam a personalidade e rotina das personagens, ainda que superficialmente e fictícia, inspiradas nas pessoas da época, sendo estas, bases riquíssimas para identificarmos fenômenos não contados nos livros, com ou sem intenção de ocultá-los. Textos estes, que nos convidam para um café na praça central das memórias de um tempo que pode ser o presente se analisados com a clarividência do investigador que está despretensioso com objetivo da leitura e durante esta promove as mais diversas conexões que ele é permitido por sua mente crítica.

 

Este texto foi fruto da atividade aplicada na disciplina de Crítica Literária no curso de Letras- Português e Espanhol da Universidade Federal da Fronteira Sul, ministrada pelo Professor Valdir Prigol, o qual solicitou que desenvolvêssemos um comentário sobre algum dos textos lidos no decorrer do semestre.


A galera tá curtindo mais esses aqui...