O corpo chamado Brasil - uma abordagem sobre os vestibulares
Em 2008 concluí o ensino médio e no mesmo ano prestei a prova do ENEM pela segunda vez, tive por duas vezes notas que não seriam suficientes para meu ingresso na faculdade como bolsista, pois eu não podia pagar. Foi no ano de 2010 enquanto eu trabalhava no telemarketing das 8 as 14 e fazia curso técnico jurídico das 19 as 22 horas que decidi que eu deveria fazer cursinho, pois NADA do que caía na prova, exceto redação, com ressalvas, eu aprendi na Escola, saibam que eu era uma dentre os melhores alunos da sala e da escola, participava de inúmeras atividades, se não todas e ganhava muitas das competições e representava a escola usando o meu talento. Enfim, decidi fazer cursinho pré-vestibular no intervalo entre o trabalho e o curso técnico, ou seja, das 14:30 as 18:00 horas, onde fui bolsista através de uma entrevista social com o coordenador. Neste mesmo ano, consegui ADAPTAR meus conhecimentos às exigências da prova do ENEM, e com nota 6,8 na prova e 9 na redação fui a primeira colocada dentre os que ingressaram na UNIP para o curso de DIREITO através do programa federal PROUNI, mas já na FUVEST ... xiiih!! Cheguei na sala, olhei para a prova e saí correndo, não consegui fazer a menor distinção entre o que o avaliador via como certo e errado, o conteúdo muito longe do que eu havia estudado, além de que a linguagem era completamente difícil para a minha realidade. Me senti "burra", mesmo sendo muito, muito e muito dedicada a vida inteira, obediente, atenciosa, mas tudo bem, o tempo passou e outras provas vieram para me fazer sentir mais "burra" ou "insuficiente" ainda...
O tempo passou e decidi prestar a prova novamente neste ano de 2021, passados 11 anos e sabem o que para mim mudou ? A linguagem, pois hoje, passados 11 anos posso fazer uma maior compreensão de interpretação de texto, e o sentimento que senti na prova, senti AMOR imediatamente ao entrar na faculdade, senti PROFUNDAMENTE QUE SOU FELIZ E TENHO MUITAS QUALIDADES, as quais não são exigidas na prova. Consegui ler e interpretar a prova, apesar de não ter estudado muito para a prova desta vez, porém ... ainda sim eu não sabia quase nada do que caiu na prova.
Ai vocês me perguntam como eu eu poderia ser a melhor aluna da sala e conseguir acertar nem 30% das das questões na prova? Eu respondo!!
As matérias aplicadas e a abordagem dos conteúdo nas salas de aula de todo o ensino público, nada tem a ver com as matérias e ênfase exigidas na prova, dessa forma a dificuldade para um aluno que estudou 100% em escola pública, que trabalha e vive sua vida social ingressar na faculdade pública ou privadas nos cursos tradicionais e mais complexos, é imensa! Seja pela reprovação se estudar no método de revisão ou, se caso quiser ter mais propriedade sobre as matérias, deve se dedicar mais no mínimo 3 anos estudando diariamente e dividindo seu tempo com sua vida social e trabalho.
Mais de 70% dos jovens no Brasil precisam trabalhar e estudar, imaginem que se manter no curso é um desafio que poucos conseguem, como puderem compartilhar comigo na minha história de vida, e isso que nem fiz um texto abordando todas as dificuldades que desestimulam os jovens a concluir os cursos. Desta forma, muitos começam e não conseguem terminar, sem contar nas complicações e desafios enfrentados por estarem inseridos em uma selva cheia de "monstros" que precisam derrotar se quiserem concluir o cronograma determinado pela faculdade e exigidos pelo Estado brasileiro, que por muitas vezes carecem de longos 4 ou 5 anos de curso e, consequentemente concorrer as melhores vagas no mercado de trabalho, impulsionar a melhor qualidade dos serviços prestados a seu empregador, ou mesmo inovar dentro de seu contexto social, melhorando as atividades, trazendo novas soluções, criando e aprimorando o que já existe.
BINGOOOO!
Cartela cheia!
Foi aqui que identifiquei que, fazendo um comparativo como corpo humano, o corpo do Brasil, assim como o nosso, não é composto por um órgão apenas, sendo este o Estado, tampouco, por dois órgão vitais, o Estado e a iniciativa privada, o corpo é composto por muitos órgãos funcionando interligados em processos diferentes, ingerindo e catabolizando energias, que impactam no bom funcionamento do todo, quanta vezes não notamos que uma dor de cabeça se deu pela ingestão de um alimento muito gorduroso, que causaram a super produção do suco gástrico, que por sua vez sobrecarrega a vesícula biliar, o fígado, as glândulas linfáticas, a corrente sanguínea, até chegar nas veias e artérias da cabeça e região da face, resultando no mal estar e nas fortes dores de cabeça, sendo necessária a ingestão de medicamentos reguladores das funções destes órgãos, combate as toxinas e alívio imediato das dores e sintomas.
Fiz este comentário, para expressar o quanto me importo não só com o meu resultado, mas também, pois sei que a minha dificuldade também é a mesma de milhões de jovens em todo o Brasil. Me importo e muito com "o que" estas provas significam na vida das pessoas e o que reflete em toda em estrutura organizacional do CORPO BRASIL, mas em especial e com muito AMOR, CARINHO e GENTILEZA, o que todos os demais órgãos, em conjunto com estes, podem fazer para que o corpo viva com satisfação e leveza, criatividade e gratidão, inovação e trabalho, o quanto estamos atrasados impedindo que jovens extremamente criativos ingressem nas universidades que comportam as melhores estruturas para que solucionem, criem, inovem, inspirem, aprendam, apliquem, e o principal, que façam com que a HUMANIDADE possa estar em crescente e constante evolução.
Assim, concluo que, não é justo responsabilizar e penalizar somente o cérebro (Estado) pela vontade em ingerir aquele alimento excessivo, pois após a ingestão, todos precisam trabalhar juntos e solucionar aquela situação, ou mesmo, ingerir remédios. Que o mesmo empenho em solucionar o mal corona vírus que todos vivemos e estamos lutando contra, seja também aplicado na Educação e que as CATRACAS SEJAM LIVRES para o fluxo.



